quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Uma Forma de Interpretação

Vou-te contar um segredo. Uma curiosidade talvez...

Não sou de frases feitas. Textos completos, poesias preversas ou prosas complexas.
Não gosto de rimas, nem trocadilhos.
Não gosto de antónimos, nem sinónimos, nem tão pouco dos “parece que” .
Não gosto que componham demais. E odeio que interpretem de menos.

Gosto apenas... dos sinais! Da pontuação perfeita.

Uma vírgula ali;
Uma exclamação acolá;
Uma interrogação mais para o fim ou umas reticências por enquanto...
Um ponto final, quando é preciso! Tão simples e limado que termina tudo na perfeição.

Gosto dos sinais. Escritos, falados ou demonstrados.

Gosto deles e ponto final.

domingo, 22 de junho de 2008

Porquê's?!

Porquê?

A pergunta mais frequente de qualquer ser humano.

O porquê do Sol, o porquê da lua.
O porquê do Mar e o porquê da terra.
O porquê disto e o porquê daquilo.

Todos perguntam porquê...
Porque lhes apetece. Porque faz sentido perguntar porquê, para que o mundo continue a girar.

Porque sim e porque não. Porque não sabem porque existem e porque gostam e não gostam e sentem e não sentem... E porquê?!
Percorrem a vida com perguntas perguntando principalmente porquê.

Perguntam porquê, porque querem ouvir um porque sim e porque não que justifique a insatisfação de porquês.



Subitamente deixou de fazer sentido a palavra porquê. Pergunto-me agora porquê, e porque não vivo repetindo os porquês para que deixem de o ser.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Escuro, Opaco e Translúcido

Funcionas como um novelo.

Puxas uma ponta e logo diminuis na oposta.

Experimentas por aqui e por ali, e passas por onde te dá mais jeito.

Quando a ranhura aperta, dás a volta e experimentas por outra.

Nos dias em que olhas à volta, vês tudo desarrumado, enrolas-te e escondes-te a um canto.

Mas mal permaneces... logo uma agulha atrevida te desafia, ou uma ponta te convence a um passeio... Quando dás por ti, a confusão é geral!

Dás voltas e voltas... e voltas à mesma!

Quando te rasgas ou partes, logo solucionas com um nó mal amanhado. Escondes e esqueces-te que existe. E os nós vão-se acumulando.

Anseio mas temo.

Esse dia.

O dia em que te perdes nesses nós. O dia em que serás só e apenas nós.

Esse dia. Esse fim

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Agarra-me. Abraça-me. Beija-me.

Não fales com a boca. Fala com os olhos, os dedos, as mãos.

Beija-me. O peito, o pescoço, a cara... a boca.

Dá-me aquele beijo que só tu sabes dar. Aquele que apaga tudo o que nos rodeia e nos faz rodopiar por planetas desconhecidos (mas que tanto ansiamos conhecer).

Deixa a tua mão deslizar pelo meu corpo.
Sente todos os milímetros de pele, como eu os sinto quando ela passa.

Não preciso de muito mais. Apenas dos teus braços à volta do meu corpo nu.
A aquecer-me, a proteger-me e a sentir-me.


Sente-me como eu te sinto. E como eu me sinto, quando tu me tocas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um Segredo

Escrevendo sem descrever...
Gostaria de contar um segredo.
Poucos o sabem, menos o devem saber. Fica aqui, a vista de alguns e escondido de todos.

Era um dia nocturno. Apenas mais um... aparentemente!

(Falharam pormenores de percepção.)

A música começou. Como geralmente começava. Mas esta levou-as mais além.
Mexiam-se, deslizavam, tocavam-se... Dançavam, como só elas poderiam.
Quando se realizaram, estavam envoltas num nevoeiro estranho.
Particulas de algodão doce flutuavam no ar, nao deixando transparecer o passo seguinte.
Sorriram perante tal mistério. Um bocadinho de doce apimentado era o que lhes faltava e quiseram continuar.

Juntaram a energia que tinham, tornando-a uma só, e foram andando.
Passo a passo começaram a libertar-se, mas a sentir-se mutuamente.
Nada viam à sua volta, mas sabiam que não cairiam porque algures a outra estaria para ajudar.
Cada uma para seu lado, à sua maneira, a aproveitar as paredes que as envolviam.
A escuridão favorecida, o nevoeiro misterioso.

Segundos, minutos, horas... dias talvez!
Passados num mundo à parte, desconhecido, surreal!
Mas... Maravilhoso!!


Tudo o resto sao mistérios...
Segredos...
Que poucos sabem e menos devem saber.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Quebra - Cabeças

Perdida em palavras cruzadas...

Não pronunciadas.

Expressas por gestos confusos, olhares perdidos.

Passatempos aparentemente impossíveis, com a solução escondida num enigma de símbolos indecifráveis.

Quebra - Cabeças... És assim.

Consumos

Afectam-me…

Bem ou mal, afectam-me… e eu não quero mais.

Não quero consumir alcool nem drogas.

Quero que eles me consumam a mim.
Me possuam
Me adorem
Me amem.

Amem-me como eu amo…
Sintam-me como eu sinto...
Conheçam-me… saibam-me!

Tal como eu vou amar-me, sentir-me, conhecer-me… saber-me!

Conhecerei todas as nossas limitações, todos os desafios, todos os desejos… todos os prazeres!

Não se limitem a afectar-me… não me sufoquem…
Integrem-me.

E quando tal acontecer… serei eu.
E apenas eu!
E serei egocêntrica, narcisista… quanto baste… para me amar, como amo outros.



(30.07.2007)

Pedaços

Bocadinhos de mim... Espalhados pelo chão, acumulados em todos os cantos. Desorganizados e perdidos como se ninguém se preocupasse...

Preocupar-me-ia... Gostava de me preocupar... Tento em vão, procurá-los...

Uns dias salto entre espaços vazios, outros flutuo para os ver melhor, noutros, ainda, ando na ponta dos pés com medo de pisar algum... E depois há aqueles dias, em que me limito a arrastar os pés, na tentativa de tropeçar em algum... Na esperança de nada.

Uns dias eles brincam às escondidas comigo, outros ficam imóveis, estáticos querendo ser apanhados... E noutros ainda, desesperados por eu não os ver, por ter perdido o seu interesse, acenam-me, saltam e rodopiam à minha frente... Lançam foguetes... Em vão.

No dia em que, dificilmente, os apanho e os guardo cá dentro, perco a chave... E eles voltam a fugir... Ou a explodir...

Queria apanhá-los a todos... Juntá-los como um puzzle, porque sei que todos encaixam... Comprar uma cola especial e emoldurá-los em mim... Para que não se soltem mais, para que não fujam mais, para que não expludam mais.

Preocupar-me-ia mais... Se não me tivesse já cansado de correr, de saltar, de rodopiar... E de fingir que não os vejo...

Ceguei-me, calei-me, entupi-me e escondi-me... Para que não me procurem mais, para que não me chateem mais, para que não os oiça mais... Constantemente perdidos, sozinhos e assustados... Constantemente perdida, sozinha e assustada...

Ceguei-me, calei-me, entupi-me e escondi-me... Porque amanhã poderá ser melhor... Porque amanhã poderei querer vê-los, encontrá-los... E colá-los...

Porque o amanhã é o amanhã... E não é o hoje...
E hoje... Hoje não me apetece, não quero mais...

Quero encostar-me, desligar-me... E fingir que nada existe...

Encosto-me, desligo-me e despeço-me... Até amanhã...
Talvez...



(23.05.2007)

Alcohol

You know that feeling when something's missing?
And you can't say what, you can't say why and you can't say... anything!

Your eyes, your mouth, your hair.... Your touch...
Missing when they look at me.... when it kisses me...
When you touch me and I touch your hair!
When I kiss your lips, your neck, your chest... When I blow you and you scream!!

Pleasure... I miss your pleasure... Come and fill me... With your looks and touch...
You inside me... I wanna feel you... Scratch you, kiss you and... Fuck you!
With pleasure and maybe... Maybe... Some love!

Not only pleasure... Love... Maybe, I miss your love...
Explain me with your lips... Kiss me...
Explain me with your eyes... Flash me...
Explain me with your hands, your fingers...
Touch me...

I want to know what's missing!!



(16.04.2007)

O Outro Mundo

Acordou... A bastante custo...
Levantou-se com o calor dos lençóis a chamar por ela e correu para o chuveiro.

Tinha tempo... Mas queria pôr-se bonita!

Olhou para o espelho e para as tão míticas olheiras e sorriu. Sorriu porque se sentia feliz. Sorriu porque algo puxava o seu sorriso.

O Sol lá fora teimava em esconder-se, mostrando-se apenas para a chamar. Ela dizia-lhe olá e voltava para dentro.

Ligou o computador e pôs a música bem alta. Dançava e dançava tentando decidir o que vestir. Não precisou de muito pois tudo parecia moldar-se à sua forma assentando-lhe na perfeição.
Um par de calças simples, um top engraçado e um casaco para a proteger de uma possível brisa menos agradável.
Nem mais nem menos. No ponto!

A música continuava a tocar enquanto tratava de si. Um pouco de base para disfarçar aquelas manchas escuras debaixo dos olhos, um risco subtil e um gloss que iluminou, ainda mais, o seu sorriso.

O telefone tocou e o coração palpitou, ligeiramente mais forte.

Entre o telefonema e a saída pouco se passou. Ou pouca atenção lhe deu. Queria apenas que o tempo passasse...

Fechou a porta atrás de si e o corpo tremeu.
Acompanhando o, ligeiramente acelerado, batimento cardíaco, desceu as escadas.
O Sol abriu mal pôs o pé na rua aumentando o seu sorriso.

Mal entrou naquele carro sentiu como se tivesse saído do mundo real, entrando num só seu. Era disso que tanto gostava... A sensação de um mundo à parte.

Deslizaram sem destino...
As horas passaram, cheias de tudo e de nada.

Tinha de voltar... Fechou a porta atrás de si. A porta daquele mundo mágico e só dela.
Sorriu pensando em como tinha sentido falta dele e como era bom tê-lo de volta.
Seguiu sem olhar para trás, não querendo pensar na distância...

Mas não se entristeceu por ter ido embora... Alegrou-se por ter regressado. Ainda que por apenas um dia.



(12.04.2007)

Obrigada

Acordei e sorri. Vi aquele sol chamativo e corri para a rua pronta para mais um dia... Esperava um dia bom... Algo se mexia no meu estomago... mas ainda nada se mostrava..

Irritação matinal do trânsito, muito tipico em mim.
Custosa viagem até ao terreno para desenhar... ou fingir!
Uma conversa que até me deixou animada.

Mas o resto do dia começava a piorar...

Deitei-me e dormi...

Acordei para a consulta, saí. Falei, chorei, ri...
Frustrada continuei, porque o presságio de um bom dia ao lado passava.

Cheguei a casa e liguei a net. Novidade na cápsula...

Leio e sorrio... E ai me apercebo, que são pequenas coisas que fazem o nosso dia maravilhoso...
A maravilha de perceber, que despercebidamente, as pessoas nos percebem! Leste-me sem me estragares, e percebeste muitos bocadinhos de mim... Em tão pouco tempo te tornaste importante... Muitas e muitas vezes falamos sobre isto, partilhamos opiniões... Sempre na mesma tecla... Há um ano nem da vossa existência tinha conhecimento, hoje fazem parte de mim... Uns vêm, marcam, mas vão... Outros ficam... E tu ficaste, sem eu me aperceber...


Li e sorri... E ai percebi que por muito pequenas que sejam, as coisas boas iluminam-nos o dia...

Obrigada por me teres iluminado o dia!



(14.03.2007)

Vazio

Bloqueou-me o pensamento. A fala. A expressão.

Essa dor que me corroeu por dentro, deixando apenas o invólucro do meu ser.

Não sei quem sou, nem sei se alguma vez o soube.

Sei que me quero conhecer e dar a conhecer, mas encriptei-me numa linguagem desconhecida.

Até para mim.

Preciso da tua ajuda… mas sinto-te longe. Dói-me pensar que te poderei afastar.

Peço ajuda a todos os pedacinhos restantes de mim. Unam-se. Revivam. Não me deixem morrer de vez.

Quero de novo toda aquela alegria. Quero de novo todos os risos e gargalhadas. Quero querer-me novamente. E quero que me queiras como sempre.

Quero quero quero. Queres também?

Quer-me por favor.



(28.02.2007)

Gostar

Gostava de me expor.

Gostava que me lessem e me vissem como realmente sou.

Gostava de saber se vou visivel ou invisivel.

Gostava de te saber ler e ver como realmente és.

Gostava que soubesses tudo aquilo que realmente significas.

Gostava de me conseguir exprimir.

Gostava de puder mudar muitas das minha imperfeições. Mas se o fizesse deixava de ser eu.

Gostava de puder mudar aquilo de que não gosto no mundo. Mas se o fizesse deixava de ter piada.

Gostava de voltar atrás no tempo e reviver todos os meus momentos felizes. Mesmo os infelizes, para tentar retirar as mensagens perdidas no meio das recordações.

Gostava de parar o tempo em todos os momentos perfeitos.

Gostava de ter poderes... ou simplesmente...

Gostava de.... Gostar!



(06.02.2007)

Festas Mensais

Um mês de doze meses. O primeiro de um ano que parece não ter fim, mas que quando dermos por ele já passou.

Coloquei todas as minhas memórias e recordações dentro da caixa mesmo antes do final do mês. Não de forma a escondê-las de vocês, mas de maneira a guardá-las para mim e não me arriscar a perdê-las numa porta entreaberta ou numa janela mal fechada.
Está na altura de a abrir para ver se lá está tudo e bem arrumadinho.

Mal a abro, salta a rolha da garrafa da Inês, que teimava em não sair, com uns salpicos de champanhe. Imagens de uma planície escura e lamacenta que mal me deixava mexer. Subo aquelas escadinhas e observo-vos. Ainda consigo ouvir as vossas gargalhadas, ou aquele choro habitual… Tantas pessoas especiais… Encontro, no entanto, um espaço em branco, pertencente a todos os que não estiveram presentes fisicamente, mas que nos encheram cada milímetro da alma.


Seguindo em frente… Uma viagem de carro até à IMBICTA! Uma carruagem aprumada e confortável, a um ritmo de embalo que me traz à cidade. Uma boleia apetitosa até casa.


A noite no São Luiz que continua a entreter as restantes recordações na caixa, juntamente com a promessa de concretização dos nossos projectos de 2007.


As Twin Towers, o Aqua, o Peter’s e mesmo os cafezinhos aqui da rua (até o técnico… GOD). Trabalho, estudo. Desespero e frustração.


Um raio de luz ofusca-me. Protejo os olhos e vejo-a. A costa…Emergindo de umas estranhas e confusas nuvens, um sol quente e protector. Uma noite interessante e uma tarde apaixonante… O jantar em minha casa seguido da mais fantástica noite do mês.

Ruídos no fundo da caixa… O jantar do Nuno Dias! Todas aquelas pessoas que há tanto tempo não via e que só agora me apercebo da falta que me fazem… E o meu padrinho, sempre com a palavra certa! Tão distante mas sempre presente!
O LUX. A saltar desenfreada e freneticamente por toda a caixa. Os dezperados com as suas novas máscaras. Voltam a puxar.me para essa noite tão boa, tão única! Mergulho de cabeça num estado de pura alucinação… Ficava aqui, eternamente e sem preocupações… Mas há que seguir em frente! Tento acalmá-lo de forma a não incomodar os restantes vizinhos. Não quero que se desentendam, mas sim que convivam em harmonia.

A jornada de Lost em casa do Luís continua no seu cantinho a dormir!


A voar baixinho, ainda a tentar aterrar na caixa, está o almoço com a Marta. Acabada de regressar de Londres, cheia de histórias novas para nos entreter. A tarde nos Jardins Digitais e o jantar em minha casa com o gelado de sobremesa. Um dia diferente mas óptimo!


Pairando sobre todas as outras, uma noite especial… Conversas agradáveis que o frio tenta acabar. Um frio gelado que me penetra todos os ossos e me tenta congelar a alma, mas que o calor de quem me fala não permite, aquecendo-me, protegendo-me…


A noite do “A Marta Manda!” O jantar no CNC e as Vampiras Lésbicas por quem tanto ansiava… Ai as vampiras!

O BU e a rainha. Pequenina e frágil… A meu título de protecção! Pequenos gestos que nos fazem reagir e sentir…

A última da caixa… A semana do pânico. As noites de trabalho e as manhãs mal dormidas. O pânico de não ter tudo pronto. O projecto. Encolhido num cantinho da caixa, escondido pelo Lux e protegido pelas Vampiras. Não queres sair mas vai ter de ser. Preciso de ti para Fevereiro. Retiro-o com cuidado, deixando apenas os estudos que me levaram até ele. Este mês ficarás em descanso… Prometo!


Continuo a achar que há qualquer coisa que falta aqui. Olho à volta e lá está ela! Escondida atrás da porta, a promessa de um Fevereiro melhor!


Mas se calhar é melhor guardar este guarda-chuva… Espero não precisar dele proximamente e não o queria deixar espalhado por aí… Sim, vou guardá-lo…


Vou encontrando fragmentos deste Fevereiro que teima em adiantar-se. Se me dão licença, guardo-os já… Não me quero arriscar a perder estes bocados de mim. Prometo voltar a abrir a caixa no final do mês, para partilhar convosco tudo isto. Ou se preferirem são sempre bem vindos a visitá-la!


(05.02.2007)

Refúgio

Mais uma vez... O buraco abriu-se e está a puxar-me.

Mais uma vez... Faltam as forças para resistir.

Mais uma vez... Sonho com um refúgio.

Aquele local onde o Sol brilha dia e noite, e todos os recantos estão maravilhosamente arquitectados para me proteger de todos os males que tentem entrar por este poço, puxados como eu por uma força inexplicavel.

Refúgio esse que apenas representa a fraqueza humana. A fraqueza a que eu não consigo resistir... O Sol apagou-se e as forças abandonaram-me... Mais uma vez fazem troça de mim por não as ter conseguido segurar!

Incomodam-me esses risos, mas já não me importam... Só quero o meu refúgio para me esconder um bocadinho... Só um bocadinho... Suficiente para me recompor...

Onde estás? Precisava mesmo de ti...



(29.01.2007)

Luxúria

Aqui tens o meu corpo.

Apenas o corpo. Sem coração, arrancado do peito por puro capricho. Sem alma, pairando sobre nós totalmente perdida.

Usa e abusa-me.

Futilidade. Perversão. Luxúria.

Sem amor, sem paixão… Apenas prazer a entrar pelos poros e a ressoar em todos os órgãos.

Agarra-me e possui-me com aquela brutalidade sexual. Penetra-me bem fundo. Uma e outra vez.

Toco-te. Agarro-te. Arranho-te. Quero sentir todo o teu corpo sem sentimento.

Possui-me. Acende o cigarro. Sai.

Agora volta e faz amor comigo. Como se fosse a última vez. Beija-me e acaricia-me. Com alma, com coração, com paixão.

Consegues perceber a diferença?



(22.01.2007)

Um Dia de Sol

Acordou. Sobressaltada, como sempre, por um pequeno barulho que parecia vir da sua alma. Olhou para o relógio. Apenas 2 horas tinham passado desde que tinha adormecido. Deixou-se ficar pelo quente conforto daqueles lençóis, sentindo o peso dos vários cobertores como um ser protector. Mas o sono teimava em não voltar.

Olhou pela janela e já era dia. Um sol tímido entrava pelas pequenas frestas do estore, dando-lhe a energia necessária para se levantar. Depois de uma semana de temporal, aquele sol sabia a verão.
Abriu-a e reparou que umas pequenas, mas incomodativas nuvens teimavam em tapá-lo. Meteu-se no banho rapidamente decida a sair à rua e fazer-lhes frente!

Saiu. Sem casaco, sem mala, sem telemóvel. Sem nada. Decidiu dedicar o seu dia ao dia! Saiu para passear, agradecendo a cada centímetro cúbico de ar que lhe entrava nos pulmões, a cada brisa fresca que lhe despenteava o cabelo, a cada raio de sol que lhe aquecia a pele, a cada milímetro de chão que pisava, a cada ser que dela se aproximava… Por simplesmente existirem.

Sons, imagens, odores. Invadiam-lhe todos os sentidos trazendo-lhe recordações… umas boas, outras más… Mas todas com a boa sensação de estar viva.

As nuvens iam-se desintegrando.

Continuou. Sem a noção do passar do tempo… Parecia que tudo se tinha imobilizado num “para sempre” perfeito! Andou, andou, andou. Não se cansava, como se o sol fosse a sua fonte de energia. Enquanto se mantivesse acesso ela continuaria rumo a caminho incerto.

Parou. Não reconhecia aquele local. Impregnado de história era, no entanto, totalmente isolado, abandonado, desconhecido. Todos os seus recantos transmitiam uma força tremenda, contagiante. Não estava cansada mas algo lhe dizia para parar.

Por instantes ali ficou, mas rapidamente se pôs a caminho… Desta vez na direcção contrária. Não sabia que horas eram, mas sentia que devia voltar.

Voltou. Deitou-se. Adormeceu. Acordou. Estava escuro, mas uma luzinha brilhava lá fora. O Sol tinha ficado, prometendo brilhar todo o dia e toda a noite.


(18.01.2007)

Insónias

Quero escrever, mas as palavras não saiem com a fluidez pretendida.

Quero dormir, mas o sono recusa-se a possuir-me... Prefere ficar a olhar e pede-me que resolva e arrume a sua cama... Peço-lhe que me ajude, mas também ele se sente demasiado cansado para me ajudar... Terei então que a arrumar sozinha e de plena consciência!

Talvez separando por tópicos e expondo teorias de resolução.. Talvez não!
Talvez apagando todos os rastos deixados pela desarrumação e esquecendo a sua existência... Também não! Esquecer não é a solução!

Enfrento então, de cabeça erguida o suficiente para não me ver só a mim, todos os cantos a arrumar neste espaço! Comecemos por uma ponta e acabaremos na outra...

Mãos à obra! Há muito para fazer... Assusto-me e sinto-me incapaz de arrumar tudo sozinha... Encosto-me então e fico a olhar, na esperança que, como que por magia, as coisas se ergam e se coloquem no local devido! Tal não acontece mas deixo-me ali ficar... Pode ser que alguém apareça...

O sono acaba por me vir fazer companhia... Diz-me que ficará ao meu lado esta noite, mas não moverá um dedo para me ajudar... "Sozinha desarrumaste, sozinha arrumas... Mas estou aqui, a fazer-te companhia!" Encosto-me então a ele... Faltam-me as forças! Compreendendo-me, embala-me "Mas contigo não dormirei."

Quieta permaneço... Nem um som reproduzo... Procuro em mim forças desconhecidas, existentes mas nunca antes vistas... Mais um pouco e conseguirei!

Por enquanto aqui estou, acompanhada sozinha...



(11.01.2007)

Pretérito Mais que Perfeito

Entraste... Como se de um tornado te tratasses! Mas apenas num metro quadrado daquele espaço conseguiste causar danos...

Sentada, olhou para a porta e viu.te entrar... Turbilhão de emoções... Nao sabia o que fazer, o que sentir, onde se esconder!!

Nem uma palavra, um sorriso, sequer um olhar... Disfarçaste tão bem como ela...
Depois viste que ela ja não era a "tua" de sempre... Alguém se apoderou daquele ser sensível e o tomou como seu... Finalmente sentiste que perdeste... Será isso realmente importante para ti? Nem tu sabes... Não te consegues encontrar e fizeste com que ela se perdesse também! E agora custa-te ver que afinal estás novamente sozinho... Perdido sozinho!

Timmings errados... És especialista nisso... Ou serão os dois? Os dois sem dúvida... Mas ela tentou e tu nem te esforçaste para o ver...
Serás um verdadeiro vilão? O pesadelo das suas noites?! Óbvio que não... Ela continua a ver-te como o cavaleiro encantado, o mais belo sonho de sempre...

Utopias... Talvez um dia mais tarde.. É sempre para um dia mais tarde! Talvez seja esse o problema... Os medos que te consomem sem que sequer dês conta... Mas medos de quê?
Interpretas mal a vida... Não consegues ver, perceber a felicidade! São tudo suposições, divagações... Errada?! Talvez bastante... Bem longe da verdade!!

Talvez um dia te encontres e ela te consiga acompanhar... Talvez um dia tomarão esse café....
Um dia mais tarde...

Por agora serás sempre o seu Pretério Mais Que Perfeito!!



(22.12.2006)



Embriaguez de pensamento

Embriaguez do pensamento... palavras cruzadas, confusas, baralhadas... tudo se movimenta nesta pequena porção de mim, tudo tenta encontrar o seu caminho.. "um passo de cada vez" diz-me a minha consciência... ja tentei! Não se move mais! Perdeu-se em curvas complexas... e agora? Não há mapa... Ela pede-me para esperar... talvez seja melhor realmente! Mas o tempo de espera em nada resulta... ou estarei a ficar impaciente demais?

O tempo faz disto... há quem diga que o tempo cura tudo... mas também altera tudo!
Bom?! Mau?! Cada um de nós retem a resposta... e cada um sabe o que fazer com ela!! Acho que não sei... Talvez com esforço vá lá! Mas e a vontade? Quem sabe num cantinho de mim, escondida em si, disfarçada de nada...

Gritos silenciosos... gritos constantes... não param! Ecoam por todo o lado, mas ninguém os ouve... apenas e somente eu!
Cada vez mais se transforma nisso... Em apenas e somente eu... Egocentrismo?! Talvez... Mas não no formato pretendido!

What to DO? Nothing....

Quieta no meu canto permaneço... É melhor acomodar-me rapidamente... Parece que a espera é longa... Hoje, amanhã, depois... um dia talvez!

É bom... Talvez... Acho que sim... Parece que não...

Um dia...

Amanhã é um novo dia!

(16.12.2006)